quarta-feira, 18 de maio de 2011

Greve da Polícia Civil causa tumulto na delegacia

Segundo a delegada do Núcleo de Corregedoria Adriana Couto Ladeira, o atendimento deve permanecer lento até o término do movimento

Pela primeira vez houve tumulto no atendimento de plantão da 1º Delegacia Regional de Polícia Civil (1º DRPC) desde que a greve do órgão policial começou no dia 10 deste mês. Entre o início da noite de segunda (16) até o início da noite desta terça-feira (17), mais de 40 pessoas envolvidas em ocorrências e conduzidas até lá por militares tiveram que esperar mais de 10h em uma sala para serem ouvidos pelo delegado de plantão. São autores, vítimas, testemunhas e representantes legais que madrugaram no local.

A demora se deve ao atendimento reduzido em 50% recomendado pelo Sindicato dos Servidores da Polícia Civil Estado de Minas Gerais (Sindpol-MG) para greve e aos novos procedimentos adotados pela PC no início deste mês, em que apenas uma ocorrência por vez deve ser atendida nos plantões do Estado.

A recepcionista Dalva Coimbra foi acompanhar os dois filhos, um conduzido com duas pedras de crack e outro por desacato. Segundo ela, chegaram por volta das 19h de ontem (16) e, até a manhã de hoje, não houve atendimento. “O problema é que esperamos esse tempo todo e não existe um banheiro e um bebedouro”, disse.

Problemas na estrutura da delegacia foram mostrados pelo CORREIO em fevereiro deste ano. Para atender as necessidades fisiológicas dos conduzidos, pela manhã, militares tiveram que levá-los a banheiros das lanchonetes das redondezas.

No período da tarde, os policiais acompanhavam os presos no banheiro da carceragem da Polícia Civil. Familiares levavam água e comida para os detidos.

Como medida adotada pela Polícia Militar (PM), os autores conduzidos, enquanto não são recebidos pelo plantão, ficam sob a responsabilidade de uma equipe militar destacada para atuar no local durante a greve. Ocorrências não estão sendo confeccionadas na delegacia pelos militares, somente nas companhias.

Polícia Civil

A delegada do Núcleo de Corregedoria Adriana Couto Ladeira disse em entrevista na tarde de hoje (17) que o atendimento deve permanecer lento até o término do movimento da Polícia Civil. “Vamos atender a todos dentro da legalidade”, disse.

A delegada ainda afirmou que a equipe está reduzida a um delegado, três agentes da PC e dois escrivães o que dificulta o recebimento de presos. “Não temos onde colocar nem como recolher essas pessoas. Isso pode ocasionar em fuga e abertura de processos administrativos”, disse.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil em Belo Horizonte confirmou que haverá uma reunião na próxima quarta-feira (25) entre dez entidades que representam os funcionários no Estado para a discussão de uma pauta única de reivindicações.

Até lá, segundo a assessoria, algumas medidas estão sendo tomadas, como escalas de plantão de delegados adequadas ao número de policiais do município. Ainda de acordo com a assessoria, o atendimento ao público foi reduzido pela metade.

Greve

O representante da greve em Uberlândia, Alex Bernadelli, afirmou que uma reunião com a Chefia da Polícia Civil para definir os rumos da greve foi marcada para o dia 25 deste mês. “Dia 8 também haverá uma assembléia com a Polícia Militar (PM), que pode entrar em greve”, disse. Até o momento, o Governo Estadual não sinalizou atender as reivindicações da categoria por melhores condições, mas já prevê uma reunião com a chefia do órgão, porém sem data definida.

Ministério Público orienta PM nas ocorrências

Segundo o promotor de Justiça Adriano Bozola, o Ministério Público vai orientar a Polícia Militar a encaminhar somente as ocorrências de maiores gravidades, como homicídio, tráfico de drogas, roubo a mão armada, entre outras, para a Polícia Civil. A intenção é evitar o tumultuo. “Não temos que interferir no mérito da greve”, disse.

Segundo ele, as pessoas que estão envolvidas em pequenos delitos e que vão à Delegacia para assinar o Termo Circuntanciado de Ocorrência (TCO) poderão ser liberada. “Vou entrar em contato com o coronel da Polícia Militar para ver o que podemos fazer”, disse.

O promotor ainda disse que haverá uma reunião entre a Defesa Social, Advocacia Geral e a Promotoria de Justiça esta semana em Belo Horizonte para definir os rumos da greve. “Depois dela é que veremos se iremos interferir ou não”, disse.

fonte: www.correiodeuberlandia.com.br

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